Raz Ingrasci, Diretor do Hoffman Institute International, entrevista a Dra. Joan Borysenko, PHD em Medicina Alternativa e uma das fundadoras da Clínica Corpo e Mente da Universidade de Harvard, EUA. Dra. Borysenko é autora de vários livros sobre o tema, entre eles os best sellers “Pensando com o corpo e a mente” e “O poder da cura pela mente”.
A tradução inclui também trechos de uma das palestras proferidas pela médica e pesquisadora para um grupo de interessados no Processo Hoffman da Quadrinidade em Harvard, EUA, no ano 1996.Raz Ingrasci :
Qual é a relação entre a cura emocional e a cura física? Na sua opinião, há realmente uma conexão entre essas duas coisas?
Dra. Joan Borysenko: Este é um campo novo chamado Psico Neuro Imunologia (PNI). Cada vez que temos uma emoção, moléculas diferentes são liberadas no nosso corpo. Há muitas informações nestas moléculas, comandadas pelo sistema límbico do cérebro. Este é o sistema que controla as emoções. Você pode dizer que as emoções são as ligações entre a mente e o corpo. Cada vez que temos uma emoção diferente, essas moléculas fluem para o corpo. As emoções afetam o coração, afetam o sistema imunológico, afetam nossa digestão. Então, por um caminho óbvio, concluímos que as emoções estão relacionadas à cura física. Todo mundo entende o que é o estresse. É uma situação emocional que libera muitos hormônios, que afetam temporariamente o sistema imunológico, fazendo-o funcionar num nível mais baixo. Com o tempo, isso deixa o organismo vulnerável a uma variedade de doenças. O estresse realmente pode afetar nosso corpo, quando nos sentimos separados de nós mesmos ou das outras pessoas e ficamos cínicos, hostis e oscilantes.
Há uma tremenda relação entre estes comportamentos e o desenvolvimento de doenças cardíacas. Então, eu acredito que as emoções tem uma enorme relação com a cura física.Muitas vezes, então, o que impede as pessoas de se curarem é o seu estado de espírito. Se elas tivessem uma atitude mais positiva poderiam melhorar? É mais fácil falar do que fazer.Sem dúvida. Obviamente, existem vários fatores que influenciam o processo de cura. Um dos fatores que impedem as pessoas de se curarem, é que elas se conectam com as feridas. A pessoa se acostuma demonstrar um determinado jeito: “Ah, eu não me dou muito bem na vida”. E as pessoas ficam com piedade dela. Chamamos este comportamento de “Regressão de Copin” ou “estancado na ferida”. É um jeito de permanecer infantil emocionalmente. O estresse intrínseco a este comportamento, não deixa a pessoa melhorar.
O segundo fator é que muitas vezes as pessoas falham em se curar porque não querem se curar. Elas não entendem que estão “estancadas na ferida”. Outras vezes, quando ocorre uma doença ou uma crise emocional, as pessoas depertam e dizem: “Espera aí, minha vida realmente não está dando certo”. Muitas vezes, isso precipita o desejo de mudar, de buscar autoconsciência, autoconhecimento, aprendendo novos caminhos para suportar melhor as dificuldades da vida, sejam físicas ou emocionais. Então, as pessoas mudam quando querem mudar? Vamos dizer que eu queira mudar. O que desperta esta consciência? Frequentemente, ouço dizer que o amor dispara a cura o medo dispara a doença. É verdade?A idéia essencial é que todas as emoções baseadas no amor e no medo tem um apoio fisiológico. Uma maneira diferente de dizer “amor” seria “conexão”.
Quando você está realmente conectado com você mesmo, se respeita, segue seus próprios valores, alinhado com os suas convições internas e externas, você adquire um senso de paz, na mente e no coração. Isto auxilia na cura. Você também desfruta da intimidade, quando está em paz com você mesmo, auto consciente, agindo de um jeito que lhe faz bem. Só assim, você pode ter uma relação íntima, realmente sintonizada com uma outra pessoa, em que desfruta-se o melhor de cada um e encoraja-se um ao outro. Nesse caso, o que surge de uma relação entre duas pessoas é mais do que cada um é isoladamente. Nossa pesquisa faz perceber que a auto-estima e um bom relacionamento social - a habilidade de intimamente agir com as outras pessoas - estão relacionados com a longevidade e a boa saúde.
Este senso de paz, amor e conexão, está ligado às mudanças positivas no sistema imunológico e no sistema cardiovascular. Muitas vezes, diminuir o estresse pode levar à cura física.Você fez o Processo da Quadrinidade há poucos anos atrás e escreveu gentilmente alguns artigos sobre o assunto. Além disso, continua ajudando muitas pessoas a encontrar o caminho para este programa de reeducação emocional. Certamente, podemos observar a maior conexão entre mente e corpo naqueles que fizeram o Processo Hoffman. Você poderia falar da eficácia do Processo na conquista de um maior equilíbrio emocional?Por muitos anos, coordenei um programa especial em dois hospitais-escola da Universidade de Harvard. Um programa de dez semanas que ensinava meditação aos pacientes. Meu mentor chamava esta meditação de “ouvindo a resposta do relaxamento”.
A meditação também resulta na libertação de arrependimentos e ressentimentos, que muitas vezes bloqueiam o processo de cura. Eu diria que o perdão é uma tremenda trilha para este processo. O que eu experimentei pessoalmente na semana do Processo Hoffman foi um tipo de perdão muito mais profundo do que eu poderia oferecer às pessoas no espaço da minha clínica. Se eu criasse um programa intensivo de interação entre corpo e mente, eu o faria exatamente igual ao do Processo Hoffman, porque sua metodologia realmente cria um senso de autoconsciência, auto-estima, autoconfiança e desenvolve a habilidade de se relacionar intimamente, o que é predicado da prática do perdão, tanto espiritual quanto psicológico.
Parece que a boa notícia é que muitas das coisas que você está dizendo podem ser aprendidas e trazidas para o exercício cotidiano, que não devem ser um recurso apenas para alguém que está deprimido ou para quem apresenta um diagnóstico que não tem respostas conhecidas. Muitas das coisas que você citou, como o perdão, a conexão consigo mesmo, o relaxamento, podem ser aprendidas. Podemos dizer que o oposto dessas coisas também foram aprendidas e que podem desaparecer com novas práticas?
Sim. Eu diria que podemos procurar entender a natureza de como nós respondemos a diferentes situações, para que possamos responder de forma mais apropriada. Desde o começo, a psicologia foi criada para ajudar às pessoas a obter autoconsciência e se libertar dos padrões originais de reações, para que elas sejam mais amorosas nas suas respostas. Certamente o Processo Hoffman é uma metodologia que ajuda a atingir esta autoconsciência.